O Colestrol dos Ovos

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Durante muitos anos existiu a ideia de que os ovos seriam um portador de mau colestrol e por conseguinte potenciadores das doenças do coração. Vamos neste artigo procurar enquadrar os conhecimentos sobre esta matéria para que possamos perceber as vantagens de consumir ovos.
Um trabalho realizado pela Universidade de Kansas (EUA) constatou que apenas uma pequena parcela do colesterol sanguíneo provém da dieta e a maior parte é produzida pelo próprio organismo. E o ovo possui uma substância (fosfolipídeo) capaz de interferir na absorção do colesterol, impedindo a sua captação pelo intestino, que é o responsável por levar tal substância para o sangue. Portanto, aumentar a ingestão de colesterol não provoca necessariamente um aumento significativo nos seus níveis.

Alto benefício e baixo custo

Verificando-se este facto, passou-se a dar mais destaque ao valor nutricional do alimento que, além de saboroso, é de baixo custo. Trata-se de uma excelente fonte de vitaminas A e do complexo B e de carotenoides, que colaboram na prevenção de doenças degenerativas. Também é rico em minerais, como ferro, fósforo, selénio e zinco. O valor nutricional da proteína pode ainda ser comparado ao do leite materno, pois contém todos os aminoácidos essenciais. 

E quanto ao limite no consumo?

Considerando uma alimentação saudável, o recomendado seria até uma unidade por dia.

Aumenta o Bom Colestrol (HDL)

Um ovo contém 213 miligramas (mg) de colesterol, ou seja, quase o total da ingestão diária recomendada pela Associação Americana do Coração, que é de 300 mg. Entretanto, esta ressalva  que nem todo colesterol ingerido tem como destino certo o entupimento das artérias. “A substância participa de funções importantes no organismo, como formação de hormonas”, explica. De acordo com o cardiologista Wilson Salgado Filho, apenas 1/3 do colesterol do ovo é absorvido pelo organismo. O seu consumo aumenta a quantidade de HDL (colesterol bom), que é considerado um fator preventivo contra a aterosclerose (quando placas de gorduras se formam nas paredes das artérias). Investigadores japoneses já divulgaram estudos que reforçam essa tese. “Os trabalhos mostram que, apesar de haver um aumento do LDL (mau colesterol) com o consumo diário de ovo, há também um aumento do HDL, o que é compensador”, comenta.

Ajuda a manter os músculos

Se a ideia é ganhar ou evitar a perda de massa magra, o ovo pode ser uma grande ajuda. Na clara, mais especificamente na ovoalbumina (proteína da clara), há uma boa quantidade de leucina, um aminoácido utilizado em suplemento nutricional que evita a perda de musculatura e é consumido por alguns atletas. Na gema, a leucina também aparece, mas em pequena quantidade. Durante muitos anos, praticantes de atividade física de força e velocidade atribuíam a melhoria no desempenho ao consumo de ovo, principalmente da clara, que é isenta de gordura e rica em proteína. Hoje, sabemos que isso se deve ao fato de o ovo proporcionar a mistura ideal de aminoácidos essenciais (aqueles que não são produzidos pelo organismo) na quantidade e relação correta para favorecer o crescimento e a regeneração muscular. Os ovos não devem ser consumidos crus, pois grandes doses de avidina – substância natural de proteção do ovo – diminuem a absorção de algumas vitaminas do complexo B, importantes na produção de energia e recuperação muscular.

Favorece o emagrecimento

Alimento de alta saciedade, o ovo faz com que a pessoa fique menos faminta e demore mais para voltar a ter fome. A constatação veio de um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition, em 2005, realizado depois em universidades como a Wayne State University e pelo departamento de Infecções e Obesidade do Centro Médico da Universidade da Louisiana, ambas nos EUA. Todos os trabalhos contaram com a participação de mulheres com excesso de peso e obesidade, divididas em dois grupos. No primeiro, consumiam ovos ao pequeno-almoço. No segundo, a refeição era feita com o mesmo valor de calorias, porém sem ovos. Os resultados mostraram que as mulheres do primeiro grupo emagreceram até 65% a mais do que as do segundo. E mais, elas também apresentaram uma redução bem maior da circunferência abdominal. A explicação está na saciedade que ele proporciona. A responsável por essa sensação é a proteína presente no alimento. Por conter todos os aminoácidos essenciais, exige uma digestão mais demorada. E tem mais, como a gema é cheia de gorduras monoinsaturadas ómega-3, ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue. Em equilíbrio, evita picos de insulina e aquela vontade louca de beliscar ou comer o que há pela frente.

Alimenta a memória e diminui a ansiedade

Na última década, algumas pesquisas também demonstraram que a colina, uma substância nutritiva encontrada em alguns alimentos, é importantíssima para melhorar a memória e a capacidade cognitiva e para a formação de novos neurónios. Logo, o consumo deste nutriente é de grande importância para prevenir doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson. Outros alimentos como o amendoim, germe de trigo, fígado, carne, peixe, queijo, repolho e couve-flor, a gema do ovo é uma ótima fonte. A colina também é importante durante a gravidez, pois a substância ajuda a fortalecer o desenvolvimento do feto. Um estudo da Universidade Estadual de Iowa, nos EUA, revela que o consumo de colina entre as mulheres grávidas é baixo. Dois ovos contêm 250 mg de colina, cerca da metade do total de que o organismo necessita por dia. Além disso a proteína colabora com a sensação de alerta e afasta a apatia. Por ser uma excelente fonte de triptofano – aminoácido precursor da serotonina, uma substância associada à sensação de bem-estar -, ajuda a acalmar os ânimos, reduzindo a ansiedade, o mau-humor e a irritação típica durante a TPM (Tensão Pré-Menstrual).

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